Algumas lendas contadas no Piauí

São muitas as lendas do Piauí, destacando-se entre elas:

Cabeça de Cuia – É a lenda mais divulgada em Teresina e em todo o Piauí. Conta a história de um pescador chamado Crispim, depois de um dia inteiro sem ter conseguido pescar um único peixe, morto de fome, ao chegar em casa a única refeição que lá encontrara foi uma espécie de caldo feito com o osso “corredor do boi”, mas que não tinha carne e só o caldo do osso. Revoltado pela situação, Crispim pegou o osso e começou a espancar a sua própria mãe! Bateu tanto que sua mãe veio a falecer. Mas antes do suspiro final, ela olhando pra Crispim lhe jogou uma maldição, na qual ele se transformaria em um monstro e viveria nas profundezas do rio Poti. Conta a lenda que o Cabeça de Cuia costuma aparecer aos pescadores, lavadeiras e banhistas em noites de lua cheia. Sua enorme cabeça surge e desaparece na superfície das águas. O encanto só terá fim quando ele conseguir devorar sete Marias virgens!

Sete Marias

Precisa tragar

São sete virgens

Pro encanto quebrar.

Quando o rio

Em cheia desce

Cabeça de Cuia

Sempre aparece

Rema pra margem

Oh! Velho pescador

Que na curva do rio

O monstro apontou.

Castigo tremendo

Que Deus lhe deu

Por bater na mãezinha

Crispim se encantou.

Tem medo oh! Maria

Que estás a lavar

O Cabeça de Cuia

Te pode tragar.

Pé de Garrafa – conta a lenda que dois amigos estavam caçando no mato e um deles, após se perder do outro, começa a chama-lo, aos gritos. Uma voz longe começa a responder e ao se aproximar ele vê com espanto que não era o seu amigo e sim um terrível animal parecendo um lobisomem. Espantado, o rapaz só teve tempo de subir na árvore e o animal ficou furioso rosnando embaixo. De manhã, só ficou o rastro do bicho, como se fosse um fundo de garrafa. Desde então todos os caçadores que se perdem dos companheiros não gritam chamando os colegas, temendo a aparição do Pé de Garrafa.

Barba Ruiva – diz a lenda que ao sul do estado, uma jovem teve uma criança e como não queria que ninguém soubesse, resolveu jogar a criança recém-nascida numa cacimba. As águas da cacimba foram aumentando imediatamente até ocupar toda a várzea de carnaubais, formando uma imensa lagoa. A criança se encantou, não cresceu mais, tornou-se velha com longas barbas avermelhadas. Aparece nas margens da lagoa tomando banho e ao se aproximar alguém, joga-se nas águas, fazendo muito barulho. Na lagoa em certa época do ano, formam-se ondas furiosas e o povo diz que é o Barba Ruiva enraivecido com a mãe. O encanto só quebrará quando a lagoa crescer e ocupar todo o povoado próximo.

Num-Se-Pode – conta a lenda que uma bela mulher que atraia a atenção dos homens por ser bastante bonita, encostada próximo aos lampiões nas antigas praças de Teresina, que ao se aproximar dela, de uma hora pra outra ele se esticava assustadoramente até alcançar o lampião lá no alto e assim ascender o seu cigarro. Assustados todos corriam o quanto mais rápido podia!

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